Resumo
A dragagem e a perturbação dos sedimentos em rios com condições oxidativo-redutoras, como o rio Araguaia, podem gerar riscos ambientais e à saúde, especialmente em áreas com altas concentrações de metais tóxicos, como ferro e mercúrio. Esses metais se acumulam nos sedimentos sob condições redutoras, e sua perturbação pode resultar em sua liberação na coluna d’água, afetando a teia trófica e a saúde humana. A planície de inundação do rio Araguaia é composta por depósitos aluvionares e rochas ígneas e metamórficas ricas em cromo, níquel, ferro, magnésio e mercúrio. A conversão do uso do solo, especialmente para a agricultura, acelera o intemperismo e o transporte desses elementos para o rio. A dragagem dos sedimentos perturba a estabilidade de metais como ferro e mercúrio, aumentando sua biodisponibilidade. O mercúrio, em particular, pode ser convertido em metilmercúrio, uma forma altamente tóxica e bioacumulativa que entra na cadeia alimentar aquática, afetando peixes, vida selvagem e seres humanos. O metilmercúrio se biomagnifica na teia alimentar, representando riscos para predadores de topo, incluindo aves piscívoras e seres humanos. Estudos mostram que o consumo de pescado em comunidades ribeirinhas pode levar a uma exposição significativa ao mercúrio, aumentando os riscos de danos neurológicos, doenças cardiovasculares e problemas no desenvolvimento infantil. Além disso, a dragagem pode agravar a qualidade da água, aumentando a turbidez e mobilizando elementos tóxicos como arsênio e cádmio. Os impactos ambientais da dragagem vão além da contaminação imediata, afetando a biodiversidade, a resiliência dos ecossistemas e a pesca, essencial para a subsistência das comunidades locais. As consequências socioeconômicas incluem insegurança alimentar, perda de renda para pescadores e aumento dos custos no tratamento da água.
